Estabilidade, insegurança, inquietude, e, claro, pedidos de providências. Nem os carteiros de Ribeirão Preto escapam desta síndrome apavorante depois de terem sido vítimas de uma onda de assaltos. O último deles, na quarta-feira passada, 20 de abril.

                Saber que há periculosidade no trabalho e que, correm risco ao fazê-lo, deixa os profissionais, mais que infelizes, amedrontados com circunstâncias tão desfavoráveis.

                Antigamente, as condições adversas passavam por cães bravos e ameaçadores e pelo risco do câncer de pele, sempre sob os rigores de um sol muito forte, nesta região tão quente. Hoje, além da saúde, e do desconforto do calor, o que está em jogo é a integridade emocional. E isso dificulta qualquer tarefa. “Penso na família, quando vejo a faca ou o revólver, entrego tudo o que estou carregando”, desabafa um dos carteiros.

                Os correios ficaram de averiguar os casos e tomar providências. Mas, na verdade, não são os correios que precisam providenciar qualquer coisa. Este é mais um problema de segurança pública. Para começar, é preciso reforçar os esquemas de policiamento ostensivo.

                Dependendo da região, resta a esperança de que a prefeitura cumpra a sua promessa de ampliar o projeto “olhos de águia”. Sob o monitoramento das câmeras, será mais fácil conter os assaltos.

Editorial do Jornal “A Cidade”
Ribeirão Preto, 23 /04/16

Nosso comentário: “é preciso reforçar os esquemas de policiamento ostensivo”; “sob o monitoramento das câmeras, será mais fácil conter os assaltos”. Estas, as duas frases que me chamaram a atenção. Em parte, concordo com elas no presente momento. Mas, o ponto vertente, o “calcanhar de Aquiles” não é o reforço de policiamento, tão pouco o aumento de câmeras. São condições agressivas. E a violência gera violência, como quase todos sabem. Não faz sentido, porque as questões inerentes jamais serão solucionadas ao pretender-se viver em guetos. Só porque alguém é marginal ou vive no mundo do crime, não se segue que somos superiores e eles inferiores. Somos apenas espíritos em diferentes estágios de desenvolvimento moral. E não é através da repressão que vamos cuidar desses irmãos. Quase todos deviam saber que para uma ação existe sempre uma reação ainda mais violenta. Caímos assim num ciclo vicioso que não levará a parte alguma

                Além das condições elementares de policiamento, seria imperioso que a sociedade dispusesse de órgãos onde se ministrasse o ensinamento filosófico existencialista (espiritismo), para tentar regenerar essas pessoas, ao invés de enquadrá-las em presídios, que já vai passando do tempo de extinção.

                Só assim poderemos conviver harmoniosamente, em tempos futuros, sem necessidade de policiamentos nem câmeras de espécie alguma. Só através desse condicionalismo poderemos algum dia atingir a plena harmonia de um mundo sem algemas.

 Alberto Maçorano

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