Para a proteção dos virtuosos, extirpação dos maus 
e estabelecimento da justiça em bases firmes, 
manifesto-me de tempos em tempos. (Bhagvad Gita, Cap. 4, 8)
Os espíritas que já tiveram algum contato com o texto do “Bhagvad Gita” (ou “A Canção do Senhor”, 
1) podem se surpreender com algumas referências ou interpretações que guardam paralelos com alguns ensinamentos do Espiritismo. De fato, essas semelhanças não são casuais e não se restringem à reencarnação. Nosso objetivo aqui é comentar algumas das passagens do Bhagavad Gita à luz do conhecimento espírita.

Esses comentários sugerem que não são recentes os esforços de esclarecimento a respeito da realidade maior do Espírito. De tempos em tempos, uma “revelação”, adaptada a cultura e modo de pensar de um povo, surge e se dissemina. Modificada por interpretações várias, ela torna a ressurgir, um pouco depois, para reafirmar a mesma coisa. 

Considerado um texto religioso, o Bhagavad Gita faz parte de outra obra muito mais antiga, o Mahabarata, que contém a doutrina dos Vedas. Sua idade é de aproximadamente 2500 anos (foi escrito por volta do Sec. IV a. C) e narra um diálogo entre o príncipe Arjuna e o Senhor Krishna, que se apresenta como uma personificação da divindade. Embora o início do texto apresente uma cena de uma batalha, ao longo da narrativa fica claro que o “chamamento” para a guerra que Krishna faz a Arjuna é, de fato, uma experiência de esclarecimento espiritual, de uma luta contra os verdadeiros inimigos do homem que são internos. Essa luta deve ocorrer até que se verifique a libertação completa (moksha) do espírito do ciclo de reencarnações.

No que segue abaixo, os textos espíritas estão em azul e do Gita em verde.

Postado por Ademir Xavier, em 24/02/18, na Rede Espirit Book