Se a Polícia Federal mostra possíveis acordos políticos para relevar irregularidades apuradas pelas investigações e os fatos “vazam” em alguns órgãos de imprensa, o que fazer? Calar-se, sob o pretexto de não favorecer ou prejudicar a votação de fulano ou sicrano ou dizer aos leitores que a mandinga é mais braba do que se pensa?

                É informação de interesse público: segundo a Polícia Federal o advogado Sandro Rovani, do Sindicato dos Servidores, e Marcelo Plastino, dono da Atmosphera, teriam tratado com Ricardo Silva um apoio,pois “o nosso menino” (segundo a PF diz que Rovani se refere a Ricardo), seria o melhor prefeito pós-Dárcy, para não complicar os negócios deles. Não adianta negar ao colunista: a afirmação é da Polícia Federal.

                Outra: A Cidade publicou que o advogado de Wagner Rodrigues, candidato do PC do B, é adepto da delação premiada. Estaria pensando no que é melhor para o seu cliente investigado pela Operação Sevandija?

                São informações que podem alterar o quadro eleitoral. Nem por isso a imprensa deve ficar cheia de dedos ou em cima do muro. O que os políticos fizeram ou fazem provoca lucros e perdas. Problema deles.

                Em tempos de internet, redes sociais e vazamentos, não há como fugir da notícia por pruridos pretensamente “imparciais”, mas que implicam, sobretudo, em omitir informações de interesse público, que é o compromisso fundamental da imprensa. Os políticos que se expliquem: o que é essa coisa de “nosso menino”? Pode continuar na disputa quem é candidato à delação premiada?

                O dever da imprensa é informar e analisar. Os políticos que se cuidem.

Júlio Chiavenato 
Ribeirão Preto, 22/09/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: embora não tenha sido novidade para mim, porque, costuma-se dizer, que não há fumaça sem fogo. Ora, se o irmãozito dele já tinha sido pego nos cafezinhos, como ele iria ficar de fora, partilhando do mesmo elo sanguíneo? Não quer dizer que isso fosse uma justificação motivadora, mas que fiquei de pé atrás, fiquei, mesmo. E infelizmente os fatos estão aí, escancarados. Nem contra o Lula, existem indícios tão concretos.

                Não obstante, a lei ainda é falha e permite que esses cidadãos tenham a cara de pau de se candidatarem. Noutros países, de verdade, apenas duas coisas seriam possíveis: ou eles, se tivessem vergonha na cara, pediriam logo a demissão dos seus cargos, ou, se a lei fosse também sem vergonha, permitiria que casos suspeitos e com provas, seriam automaticamente suspensos e exonerados, seguindo os trâmites jurídicos normais.

                Mas, como nenhuma dessas premissas está em vigor, resta-nos apelar para o bom senso dos eleitores. Será que também tem eleitor, cara de pau, com coragem de votar nos 12 vereadores corruptos e mais ainda no candidato a prefeito Ricardo Silva? Só aguardando o dia da verdade?

                Então, por exclusão de partes, só um candidato a prefeito, eu colocaria as mãos no fogo: GANDINI40, e para vereadora, a nossa amiga Cristiane Framartino Bezerra, 23770. Vamos passar Ribeirão a limpo.

Alberto Maçorano