Primeiro, lemos os livros. Quando os lemos outras vezes – segunda, terceira – eles começam a nos ler. Este fato ocorre, quando o espaço entre uma leitura e outra, é grande. Li, por exemplo, os Subterrâneos da Liberdade – de Jorge Amado – aos catorze anos, a primeira vez. Na segunda vez, já tinha perto de trinta. A última vez reli a obra já cinquentão. Como anoto trechos que me despertam alguma atenção – marcando com lápis ou caneta, com cor diferente, tenho a medida de quanto mudei. O livro reflete as alterações de meu entendimento. Vi alterações no meu entendimento político quando li – também algumas vezes – as obras de Montesquieu, começando pelo Espírito das Leis. Anotei síntese – numa de suas obras – que é o GPS de minhas ideias. É a seguinte: “o estado deve oferecer à sociedade, apenas e tão somente, segurança e justiça”. Tudo ou mais deve ser particular, inclusive educação – escolas precisam ser aparelhos ideológicos do cidadão e não do estado – e saúde, para ficarmos em dois itens que nossa cultura insiste que deveriam ser estatais. O que nos leva a concluir que educação e saúde devem ser de competência do estado; é nossa cultura católica. Ambas pertenciam à igreja até à revolução francesa de 1789/1792. Chateaubriand – no seu clássico “O Génio do Cristianismo” – esclarece definitivamente o assunto. Separada do estado, a igreja julgou que saúde e educação deveriam ser responsabilidade estatal. Vamos acabar com isso.

            Também são ícones do pensamento liberal Friedrich Von Mises e Friedrich Von Hayeck, economistas austríacos. Eles abrem caminho para entendimento do que é o estado mínimo. Mínimo, mas forte.

Vicente Golfeto
Ribeirão Preto, 19/12/15
golfeto@jornalacidade.com.br

 

Nosso comentário: meu caro Golfeto, apesar do seu excelente desenvolvimento e apreciação das leituras em apreço e do seu elevado gabarito intelectual, não concordo com a sua conclusão. Muito embora não tenha lido Montesquieu, penso que os seus conceitos sociais e a época em que foram apreciados, estão muito longe do ambiente social brasileiro e da época em que vivemos. Se a maioria da nossa população tem dificuldades extremas em resolver seus problemas educacionais e de saúde pelos meios estatais, imagine-se se fossem privatizados. A maioria estaria completamente marginalizada.

                Entendo que esses são realmente setores estratégicos de uma sociedade que devem ser do estado, além da segurança, evidentemente. O que acontece é tão somente e apenas a péssima administração desses setores, aliada à corrupção generalizada. Portanto, o caminho a seguir é dotar esses serviços com pessoas verdadeiramente capacitadas e do maior gabarito ético e dignidade a toda a prova. Além do mais, não deixarei de colocar o dedo numa ferida que está levando a sociedade para uma situação catastrófica. Não podemos compactuar com a falta de orientação religiosa nas escolas e da inserção de uma filosofia existencialista de base doutrinária espírita. Interpretar uma sociedade à luza de uma única vida é uma coisa. Interpretá-la à luz de várias existências, é outra completamente diferente. Apenas isto o que pretendo chamar a atenção e reflexão de todos nós.

Alberto Maçorano
www.olivrodosespiritos.com.br

                 

 

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