A ciência e a religião são as duas referências da inteligência humana; a primeira revela as leis do mundo material; a outra, as leis morais. Com o mesmo princípio, que é Deus, elas não poderão entrar em contradição. Se a ciência tiver razão em relação a algum fato, a religião também terá que ter. Se isso não se verificasse, Deus seria incoerente. A incompatibilidade entre a ciência e a religião deve-se ao fato de cada uma querer ser dona exclusiva da verdade, gerando um conflito que origina a incredulidade e a intolerância entre ambas.

                São chegados os tempos em que os ensinamentos de Jesus precisam ser atualizados, retirando-se o véu que ainda existe em algumas partes. A ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, deve levar em conta o elemento espiritual, e a religião deve reconhecer as leis orgânicas e imutáveis da matéria, para que essas duas forças, apoiando-se mutuamente, possam caminhar juntas. Desse modo, a religião não sendo desmentida pela ciência, conquistará uma força maior, porque estará de acordo com a razão, e poderá ser comprovada cientificamente.

                                      A ciência e a religião não se entenderam ainda, porque cada uma analisa as coisas do seu próprio ponto de vista, repelindo-se mutuamente. Seria preciso alguma coisa para suprir as suas divergências, algo que as aproximasse. Essa convergência só poderia resultar do conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo físico, leis tão coerentes como as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Constatadas essas relações pela experiência, uma nova luz resplandeceu: a fé dirigiu-se à razão, e esta nada encontrou de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido. Entretanto, como sempre acontece com os novos conhecimentos, existem pessoas que, por não os entenderem, procuram resistir e obstruir, em vez de compreendê-los.

                                      Vem sendo desenvolvida uma revolução moral pelos espíritos há mais de vinte séculos, que se aproxima da plena realização, e demarcará uma nova era na humanidade. Inevitáveis mudanças acontecerão nas relações sociais, que ninguém poderá impedir, porque estão nos desígnios de Deus e resultam da lei do progresso, que é uma lei de Deus.

 

Cap I do Evangelho segundo o Espiritismo,
Tradução de Alberto Maçorano

Nosso comentário: apresentei este texto para complementar o raciocínio apresentado no post anterior “Desafios da zika”, justificando que ciência e religião têm que seguir trajetórias paralelas e nunca opostas, porque existe uma interação entre estas duas temáticas.

Alberto Maçorano