Há menos de uma semana, sobre as especulações provocadas pelo impeachment, escrevi que “a crise atual, em parte, foi provocada pelo sistema financeiro”. Faltou explicar como.

Hoje, os cadernos de economia dos grandes jornais, os mesmos que anunciavam a falência do Brasil e sua ressurreição com o impeachment,tratam de demonstrar como se fabrica uma crise para ganhar dinheiro, tendo como pano de fundo a política.

                A notícia é: as oscilações na Bolsa de Valores de S. Paulo deram aos especuladores estrangeiros o lucro de 1 bilhão e 800 milhões de reais enquanto se discutia o impeachment, com a FIESP à frente. Dizia-se que com Dilma a economia não se recuperava e, com Temer, cresceria. Veio o novo governo e os estrangeiros retiraram suas “apostas”, levando o lucro para o exterior. Como é complicado entender as flutuações da Bolsa, especialistas como Phillip Soares explicam: os investidores apostaram no impeachment e saíram quando a aposta acabou. Naturalmente, levando a grana.

                Agora, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, afirma que o ministro do Turismo, Henrique Alves, “pegou” dinheiro da OAS, para sua campanha política em 2014, e que Michel Temer recebeu da empreiteira R$ 5 milhões, para facilitar-lhe uma concessão no aeroporto de Guarulhos.

                Resumo da ópera: a corrupção foi um dos ingredientes do impeachment e o impeachment foi manipulado nas especulações da Bolsa. O capital financeiro uniu-se ao jogo político e o Brasil deu R$ 1,8 bi aos especuladores estrangeiros. Assim se derruba um governo que, por seu lado, não era nenhum primor de honestidade.

Júlio Chiavenato
Ribeirão Preto, 07/06/16
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: apesar de fora do momento, pela falta de tempo útil, por causa dos meus afazeres particulares, no Brasil, pela bandalheira institucionalizada, os fatos são sempre atuais e o serão por muitos e bons anos, até que que o vírus dessa moléstia seja completamente neutralizado. Não vai ser fácil dissipar completamente essa moléstia pelas mutações dessa virose, mas, como nada é impossível, quem sabe daqui por mais uns quinhentos anos estejamos livres desse vírus.

                Admito a sua perspicácia senhor Chiavenato, jornalista íntegro, sério, e altamente capacitado. É muito fácil contestar com falácias, sem quaisquer argumentos comprobatórios. Provar por A + B, matematicamente, a falsidade e hipocrisia desse impeachment, isso é que deve ser valorizado. Por isso, tiro o chapéu, com toda a vénia e circunstância pela sua dignidade. Parabéns senhor Chiavenato.

 

Alberto Maçorano