Hoje a palavra é para você, companheiro de muitas procuras, que busca na casa espírita o bálsamo que alivia uma grande dor, a palavra que ajuda a superar um momento de crise ou preencha algum “não sei quê” que lhe deixa um vazio esquisito cá dentro do peito.

Talvez esta seja a derradeira porta, após tentativas onde encontrar o equilíbrio, a paz, enfim, o sentido
da vida; e o seu coração divide-se agora entre esperanças e temores… Afinal, foram tantas as frustrações… Mas, como diz a canção da Zizi …“Vá, e entre por aquela porta, ali não tem caminho fácil não, é só dar um tempo que o amor chega até você”…

Pois é, amigo! Grupos espíritas não são igrejas, mas espaços fraternos de vivência do Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina Espírita; uma espécie de oficinas do bem, onde se busca, em conjunto, aprender e exercitar esse tão decantado amor ao próximo. Mas, por favor, não nos idealize. Não espere uma bondade e elevação que ainda não possuímos.

O espírita professa uma fé racional que facilita a compreensão dos porquês da existência, aumentando a responsabilidade de uma mudança de atitude para melhor, perante os desafios da vida. Porém, não nos enganamos, nem queremos enganá-lo a nosso respeito. Somos exatamente como você, sentindo as mesmas dificuldades afetivas, emocionais, sexuais, espirituais, e tantas outras inerentes à nossa condição humana de seres em evolução. Estamos todos no mesmo barco, mas vamos remar juntos para chegar em segurança à outra margem da vida, que é a nossa origem e destino; certamente fará toda a diferença. Isso nós queremos e podemos fazer.

Não temos dogmas, rituais ou chefes religiosos. Trabalhamos em regime de cooperação fraterna e voluntária, conforme as aptidões e disponibilidades de cada um, em benefício de todos os que aqui chegam. Por isso, querido amigo, ao entrar por aquela porta, não espere encontrar sacerdotes investidos de superioridade ou poder; não espere encontrar um grupo seleto de iniciados em “mistérios do além”, indivíduos infalíveis que lhe digam a todo tempo o que fazer. Encontrará apenas pessoas comuns, com muitas certezas e convicções, sim, mas também com crises, dúvidas e inseguranças, tais como as suas.

Encontrará também aprendizes na arte de servir. Gente que se sente feliz em contribuir para a felicidade alheia; pessoas solícitas a acolher, ouvir e amparar. Não suponha, porém, estarmos isentos de provações e problemas. Como você, lutamos e sofremos. Apenas optamos pelo trabalho no bem, como forma de trabalhar em nós mesmos, o próprio aperfeiçoamento, contribuindo para a construção de uma sociedade melhor, buscando simultaneamente, no estudo e no trabalho, as respostas e a coragem necessária para enfrentar as lutas, nada fáceis, do quotidiano.

Encontrará orientadores esforçados na tarefa de consolar e esclarecer. Não nos tenha, porém, como sábios inquestionáveis ou seres santificados. Tal como você, não vivemos alheios às dificuldades do mundo. O maior desafio é exemplificar na prática as verdades espirituais em que acreditamos e pregamos, esforçando-nos em sermos mais pacíficos, generosos, fraternos e, sinceramente, nem sempre o conseguimos.

Mas, se ainda é grande a nossa imperfeição, maior é a alegria de vê-lo chegar. E assim como Pedro, o apóstolo rude e sincero de Jesus, apesar do reconhecimento da nossa pequenez humana e espiritual, será muito bom poder aconchegá-lo com carinho, e dizer-lhe do fundo do coração: …“Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho vos dou”…

Caminhemos juntos!

Joana Abranches*

*Joana Abranches é assistente, escritora e presidente da Sociedade Espírita Amor Fraterno.
(Vitória/ES)

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