Allan Kardec escreveu que as mensagens evangélicas devem ser lidas “não com a letra que mata mas com o Espírito que vivifica”. Compreendendo a Bíblia como um relato histórico de um povo e o Evangelho (Novo Testamento), como a herança moral dos ensinamentos cristãos, ela não deve ser entendida ao “pé da letra”, pois muitas das leis e passagens, hoje ilógicas para nosso bom senso, foram ali colocadas para doutrinar um povo rude e rebelde. Também as histórias fantasiosas eram alegorias para que um povo ainda ignorante pudesse melhor compreender os ensinamentos necessários.

Adão e Eva no paraíso é uma dessas histórias alegóricas que, estudando pelo Espírito que vivifica, se torna mais lógica e plausível. Deus jamais poderia punir Adão e Eva, expulsando-os do paraíso, por haverem cometido o “pecado original”, pois a sua própria ordem era: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a” (Cap.I, vers.28). Se eles eram os únicos habitantes do planeta, juntamente com seus dois filhos, com quem Caim, após matar Abel, constituiu família em outras terras? Será possível, em apenas 6.000 anos, a humanidade atingir o atual estágio populacional, partindo de apenas dois seres?

Segundo os ensinos dos Espíritos, tanto os seres vivos, como os planetas, estão em constante evolução. A Terra, que hoje se encontra em estágio de planeta de provas e expiações, já foi um mundo primitivo, cujos habitantes também estavam em estágios iniciais de evolução, já no reino hominal, mas ainda muito próximo dos animais irracionais, confirmando a teoria Darwinista de Evolução das Espécies.

Adão, de acordo com os mesmos Espíritos, representa toda uma raça, imigrante de outros mundos, que veio reencarnar na Terra, em um planeta mais atrasado, como resgate, porque eram espíritos rebeldes nos preceitos morais, apesar de inteligentes. Essa colônia de espíritos, que reencarnou no nosso planeta em remotas eras, trouxe toda uma bagagem evolutiva e a sua missão era levar o progresso às demais raças nativas, que estavam em processo de despertamento.

Na gênese bíblica, Adão e seus descendentes são representados como homens inteligentes e laboriosos, aptos para as artes e as ciências, sem passar pela infância da inteligência, o que não é próprio das raças primitivas, comprovando que já eram espíritos mais evoluídos.

Quando a Raça Adâmica chegou, a Terra já estava povoada desde os tempos imemoriais. Exemplificando, seria como a chegada dos europeus aos novos continentes da América e Oceania, levando consigo a civilização, a cultura, para auxílio no desenvolvimento desses povos nativos, primitivos, mas também, trazendo como herança, mazelas morais, típicas de espíritos ainda imperfeitos.

O homem de hoje, racional e dotado de inteligência, entendendo a história de Adão e seus descendentes como uma simbologia, poderá tirar daí os aspectos morais dessa mensagem, de respeito às leis divinas, compreendendo a lei de causa e efeito. Aceitará mais facilmente a lenda bíblica do surgimento do homem na Terra como parte da comprovação das teorias científicas evolucionistas.

Fonte: Auxílio e fraternidade

 

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 18/06/17, na Rede Espirit Book