Apesar deste acontecimento ser focado no tema que intitula o nosso blog, não poderemos deixar de tecer algumas observações à “Revolução dos cravos”, acontecida no dia 25 de Abril de 1974. 

Acabara de fazer 27 anos, na pujança da juventude, de sonhos e ilusões… recém-casado e, num ápice, no respaldo de um acontecimento histórico, as nossas vidas e o nosso futuro tomariam rumos impensáveis e inimagináveis no dia anterior.

Ficaríamos cheios de alegria se o resultado dessa “hecatombe história” tivesse originado o desfecho de novos países democráticos, dignos, éticos e carregados de esperança e prosperidade para as suas populações.

Infelizmente, não foi isso que aconteceu. Bem pelo contrário, levando-nos à triste conclusão de que esse fato histórico ficará para a posteridade como uma “tragédia histórica” nas páginas da rica história do povo português. 

Os portugueses tiveram que regressar ao solo pátrio e as populações coloniais africanas ficaram abandonados à sua sorte, submetidas à déspota sanguinária dos seus dirigentes políticos partidários.

Se quinze anos de guerrilha submetida pelo exército português pareceram uma eternidade, ela continuaria por mais de trinta anos na ausência colonial portuguesa, resultado de disputas étnicas, o ponto negativo fundamental da colonização europeia.

Com todos os defeitos que uma colonização possa ter, Portugal desperdiçou oportunidade única de fechar com chave de ouro a época esplendorosa das navegações. 

Se a inteligência administrativa de Salazar salvou Portugal da “bancarrota” no começo do seu “reinado”, a sua teimosia isolacionista e tirana redundaria num confronto militar completamente desnecessário para que os “salvadores da pátria” optassem pelo abandono colonial e afundassem a pátria portuguesa nas páginas mais sombrias e tristes da sua existência. 

Com grande ajuda da Comunidade Europeia e aperto de cinto dos portugueses, Portugal tem sobrevivido a um preço muito elevado pelo sacrifício da sua população.

Em condição dramática, após breve passagem pela banca portuguesa, vim parar ao Brasil em 1991, vivenciando algumas situações difíceis e dolorosas.

Como corolário e na busca dos porquês da vida, em boa hora conheci uma companheira brasileira e mais tarde o Espiritismo, preenchendo o vazio existencial em que me encontrava.

Após vicissitudes e algumas agruras da vida, aos 71 anos, não poderei deixar de agradecer com muita gratidão a orientação divina dos benfeitores espirituais, pois fui esclarecido que, independentemente dos acontecimentos históricos que varreram o nosso velho Portugal, estaríamos fadados a vir parar ao Brasil para nos reencontramos com um grande amor de uma outra vida passada na Inglaterra, fato acontecido no próprio anos em que chegamos ao Brasil (1991) e cujo desfecho conjugal se desenvolve até aos dias de hoje.

Deus seja louvado!

Alberto Maçorano