Quinhentos e dezasseis anos nos separam daquela que é considerada a “certidão de nascimento” do Brasil. A carta em que Pero Vaz de Caminha, escriba da frota de Pedro Álvares Cabral, escreve ao rei de Portugal contando que havia aportado em uma terra“em tal maneira graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”… Um paraíso selvagem.

                Pela carta de Caminha, D. Manuel I também fica sabendo que essas terras vastas têm muito ouro e pedras preciosas. E quem dá a informação são os índios. Na sua inocência, devassam não só suas “vergonhas”, como também seus tesouros. Serão depois destruídos, aculturados, reduzidos a pequenos núcleos. Quase extintos.

                E nossos “encontradores”, responsáveis pelo nosso “achamento”, na chegada em 1500, um outro erro, também citado na carta de Caminha. “Infiltram” um degredado entre os índios. Não será o único. Muitos outros virão. E este caldeirão cultural ferverá. Malfeitos, em fogo brando e contínuo, cozerão, entre tantos pratos, o da degradação moral.

                Porém, apesar desta raiz histórica, da trágica exploração de mão de obra africana e dos males que até hoje nos afligem, já sabemos quem somos. Uma terra rica e cheia de graça, exaurida por tantos, devastada por muitos, mas ainda capaz de se reinventar. Parabéns, Brasil. Encontre seu caminho.

                Da dor virá o seu redescobrimento.

Editorial do Jornal “A Cidade”  
Ribeirão Preto, 22/04/16

Nosso comentário: apesar dos meus afazeres que não me ensejam tempo útil para me dedicar a fofocas jornalísticas, é difícil deixar passar em branco, alguns contextos, sobretudo quando se põem em causa feitos históricos pioneiros, admirados pelas principais potências mundiais, como foram os descobrimentos portugueses.

                É muito cómodo fazer hoje uma análise, ainda que superficial, num belo escritório refrigerado a ar condicionado, de barriga cheia, de acontecimentos passados há mais de quinhentos anos, fora do âmbito histórico. Nem historiadores renomados, por vezes, são capazes de serem imparciais, quanto mais um simples jornalista.

                O comentário feito à “descoberta do Brasil” foi de uma mesquinhez medíocre, sem qualquer conhecimento histórico e insultuoso aos feitos da nação portuguesa.

                Segundo especialistas idôneos, e apesar dos documentos cartográficos, era mais arrojado fazer uma viagem marítima na época do que fazer hoje uma viagem à Lua. Por acaso, consegue imaginar o senhor jornalista que escreveu a matéria, como era uma “caravela”? Será que o senhor se vivesse nessa época e tivesse uma boa condição, iria aceitar fazer uma viagem naquelas circunstâncias?

                Por outro lado, o Brasil, não foi achado. É saber muito pouco de História. Será que a miséria de hoje e a exploração que se vivencia não será maior do que a de então? É admissível que a administração de hoje tenha algo a ver com a de outrora? Então a degradação moral a que se refere é de hoje e não dessa época. Não obstante, se não fossem os portugueses, talvez o senhor não estivesse agora, colhendo os frutos das suas aventuras.

                Dizia Jesus: a verdade vos libertará, ou em palavras de hoje: o conhecimento liberta da ignorância.

Já comentei várias vezes nesta coluna, que leiam o livro: “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, psicografado por dois dos maiores vultos brasileiros, o médium Chico Xavier, e ditado pelo espírito de Humberto de Campos, um grande jornalista brasileiro que viveu no Rio de Janeiro, onde terão o privilégio de conhecer a autêntica história do Brasil, antes mesmo de existir geograficamente. Mas, pelo jeito, o preconceito, a arrogância e a vaidade ainda falam mais alto. E assim a desinformação prevalece.

 

Alberto Maçorano